Apocalipse de insetos? A Bacia do Paraná é um alerta

Com hidreléticas, insetos aquáticos desapareceram drasticamente da região.


Os insetos aquáticos levam fama de serem resistentes à mudança de clima, mas pelo jeito essa fama é infundada. Pelo menos na bacia do Paraná, que abrange 7 estados no Brasil e mais territórios da Argentina, Paraguai e Uruguai.


Na bacia do Paraná, havia milhares de insetos por metro quadrado há poucas décadas. Agora há apenas dezenas, segundo estudo de um grupo internacional de cientistas, sistematizado pelo Instituto de Biologia da Unicamp.


Os pesquisadores examinaram uma área de 40 quilômetros quadrados com lagoas, rios e canais da Bacia do Paraná e observaram o que aconteceu por lá durante 20 anos.


Decaíram insetos de água doce de todas as ordens, sob impacto da ação humana na região, a mais urbanizada e industrializada do Brasil, e ponto de concentração de grandes hidreléticas.


Odonata, Ephemeroptera, Coleoptera, Hemiptera, Diptera... não importa o tamanho nem as funções, os insetos aquáticos diminuíram.


“O forte declínio observado afetou não apenas as espécies mais suscetíveis, mas todas as ordens e famílias de insetos aquáticos existentes na região" observou Gustavo Romero, do Instituto de Biologia da Unicamp, um dos autores do estudo, à Agência Fapesp.


Segundo os pesquisadores, o declínio dos insetos na bacia se deve às mais de 150 barragens construídas na bacia do Paraná. É ali que fica a hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo, e também as usinas de Ilha Solteira, Marimbondo e Furnas.


As barragens prejudicaram os insetos aquáticos por três motivos. Em primeiro lugar, elas deixaram as águas turvas mais transparentes, dificultando a camuflagem dos insetos e aumentando sua exposição a peixes predadores.


Em segundo lugar, introduziram espécies de peixes exóticos que se alimentam de outros peixes e insetos, como o tucanaré.


Em terceiro, as barragens desequilibraram os nutrientes da água, aumentando a presença nitrogênio e diminuindo a do fósforo, criando mais um problema para a sobrevivência dos insetos.


"Nosso estudo mostrou que as consequências negativas das barragens podem ocorrer muito depois que as florestas foram inundadas e as comunidades locais deslocadas", notou Liam Nash, da Universidade Queen Mary, de Londres, outro autor do estudo, num texto em The Conversation.


O estudo, publicado em Biology Letters, da Royal Society, faz um alerta: monitorar o impacto antropogênico e mitigar suas consequências são fundamentais para manter a integridade dos ecossistemas de água doce.


Fonte: Circuito D

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