Brasil deve se preocupar com onda de calor? Europa bate recorde de 47ºC


Roupas leves, chapéu, óculos escuros e muita água. Esse tem sido o kit do empresário curitibano Michel Prado, de 34 anos, para vencer o calor durante as férias na Europa. Embora tivesse visto notícias de que as temperaturas estavam mais altas em Londres nesse verão, ele não imaginava o que encontraria na cidade.


Por lá, os termômetros ultrapassaram os 40ºC, uma marca histórica, de acordo com o serviço nacional de meteorologia, o Met Office. Em Portugal foi pior: 47ºC. "Mesmo para quem está acostumado com o calor do Brasil é difícil. É um clima muito seco", conta Prado.


Ao longo desses dias, o brasileiro viu desde pessoas andando com leques e pequenos ventiladores portáteis em locais de grande circulação, como metrôs, a alertas locais, no interior do Inglaterra, para que os moradores só saíssem caso fosse realmente necessário. E a jornada em altas temperaturas não terminou ao deixar o país.


Na Espanha, as noites quentes em Girona chamaram a atenção do rapaz. "Eram 20h30 e ainda estava 29ºC. Como a cidade tem ruas com muitas pedras e não venta, à noite tudo ainda estava muito quente", lembra


Esse cenário acompanhado por Prado é provocado por ondas de calor que têm preocupado cientistas e autoridades mundo afora. Somente em Portugal e na Espanha, mais de mil pessoas já morreram em decorrência das temperaturas acima da média. Houve ainda o registro de uma série de incêndios na França.




Por que tanto calor?


Basicamente, uma onda de calor ocorre quando se tem uma massa de ar quente estacionária sobre uma determinada localidade, explica o cientista do Clima Alexandre Araújo Costa, professor na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Essa situação bloqueia a chegada de massas de ar polar e mantém a temperatura elevada na região.


Basicamente, uma onda de calor ocorre quando se tem uma massa de ar quente estacionária sobre uma determinada localidade, explica o cientista do Clima Alexandre Araújo Costa, professor na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Essa situação bloqueia a chegada de massas de ar polar e mantém a temperatura elevada na região.


Basicamente, uma onda de calor ocorre quando se tem uma massa de ar quente estacionária sobre uma determinada localidade, explica o cientista do Clima Alexandre Araújo Costa, professor na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Essa situação bloqueia a chegada de massas de ar polar e mantém a temperatura elevada na região


E o Brasil? Vai ter onda de calor?


Pelo Brasil, embora seja inverno, há um efeito parecido.


"A princípio, deveríamos esperar no máximo alguns veranicos no inverno. Às vezes as pessoas se surpreendem com eventos de frio extremo, mas não deveriam. Todas as estáticas mostram nitidamente que os recordes de frio estão mais raros que os de calor. No conjunto das estações meteorológicas no mundo, os eventos de calor extremo estão mais frequentes", reforça o professor.

A diferença é que por ter uma região com mais terra essas mudanças são mais intensas no hemisfério norte do que em comparação ao hemisfério sul. Nesse ano, além de países europeus, os Estados Unidas, Índia e Paquistão também já registraram temperaturas acima da média


O que as mudanças climáticas têm a ver com isso?.


Lanfredi analisa que são diversos os fatores envolvidos na ocorrência de ondas de calor. O aquecimento global é um deles e não deve ser descartado, uma vez que o que se tem verificado não são fenômenos isolados.


"Se começamos a ter várias ondas de calor pipocando ao longo do hemisfério norte ou atingindo áreas muito grandes, temos um componente natural, mas também temos ação antropogênica", diz

"Se começamos a ter várias ondas de calor pipocando ao longo do hemisfério norte ou atingindo áreas muito grandes, temos um componente natural, mas também temos ação antropogênica", diz


Qual o caminho para frear essas mudanças?


Ambos os pesquisadores consultados acreditam que faltam políticas públicas para reduzir emissões de gases e, logo, frear o aquecimento global. A mudança precisa vir urgentemente.


"A população mundial está aumentando e a necessidade de energia como um todo vai aumentar também", alerta Lanfredi.

Costa, por sua vez, afirma que o melhor que se pode fazer agora é contenção de danos, o que significa abandonar combustíveis fósseis e encerrar outras fontes de emissão, como o desmatamento.



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