Cepa de superbactéria achada em porcos pode infectar humanos, diz estudo

Chamada CC398, linhagem de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) possui elementos móveis em seu genoma que permitem o escape ao sistema imunológico


Cepa altamente resistente a antibióticos da superbactéria MRSA surgiu na pecuária nos últimos 50 anos (Foto: Reprodução/Pixabay)


Uma nova cepa de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) tem preocupado especialistas por ter potencial de ameaçar à saúde pública. Segundo pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, a linhagem CC398 da superbactéria é altamente resistente a antibióticos e também uma causa crescente de infecções humanas por MRSA. A conclusão foi publicada no periódico científico eLife em junho de 2022.


Entre os principais animais infectados por essa cepa estão os suínos. Na Dinamarca, o aumento de infecções por MRSA foi particularmente evidente em fazendas de porcos, onde a proporção de rebanhos positivos aumentou de menos de 5%, em 2008, para 90%, em 2018. A superbactéria não adoece estes animais.


Ameaça à saúde humana

De acordo com o estudo, a capacidade do CC398 de resistir a antibióticos e infectar pessoas está ligada a três elementos genéticos móveis no genoma do MRSA. O primeiro é o chamado φSa3 – que permite que a cepa CC398 escape do sistema imunológico humano. Os outros dois são o Tn 916 e o SCC mec, que são responsáveis pela resistência a antibióticos em Staphylococcus aureus tanto em humanos como no gado.


"Compreender o surgimento e o sucesso do CC398 no gado europeu — e sua capacidade de infectar humanos — é de vital importância para gerenciar o risco que [a superbactéria] representa para a saúde pública", disse Lucy Weinert, pesquisadora do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge e autora sênior do estudo.

Para combater esse novo agente, a União Europeia proibirá o uso do óxido de zinco utilizado em fazendas de suínos para prevenir diarréia em leitões. Devido a preocupações com seu impacto ambiental e sua potencial promoção de resistência a antibióticos no gado, a norma entra em vigor ainda em junho.


Entretanto os cientistas ponderam que essa proibição pode não ajudar a reduzir a prevalência de CC398, pois os genes que conferem resistência a antibióticos nem sempre estão ligados aos genes que conferem resistência ao tratamento com zinco.


Atualmente, o uso de antibióticos no gado europeu tem diminuído. Porém, segundo os pesquisadores, mesmo que haja redução no uso do medicamento em fazendas de porcos, o impacto dessa ação na presença da cepa de MRSA nesses animais será limitado, já que ela se mantém estável há muito tempo.


Pela dificuldade de tratar a doença em razão da resistência aos antibióticos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera agora a MRSA uma das maiores ameaça à saúde humana.



Fonte: Revista Galileu

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