COLAPSO PRÓXIMO: CONHEÇA A 'GELEIRA DO JUÍZO FINAL'

Afetada pelo aquecimento das águas do oceano, geleira da Antártica poderá trazer consequências que durarão por décadas

A geleira Thwaites - NASA via Wikimedia Common


A Geleira Thwaites, da Antártica, é observada constantemente por especialistas por conta de seu potencial em elevar o nível do mar. Devido às consequências do aquecimento global, o fluxo de derretimento dela acelerou, assim como sua superfície diminuiu e seu aterramento encolheu.


Segundo um comunicado do Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais (CIRES), da Universidade do Colorado em Boulder (UCB), a Geleira do Juízo Final, como é apelidada, tem o potencial de colapsar dentro de uma década, contando a partir de 2021, o que pode elevar o fluxo de saída da água da região e afetar diversas partes do mundo.


Em dezembro do ano passado, durante a reunião anual da União Americana de Geofísica, segundo aponta matéria publicada pela CNN, pesquisadores sugeriram que a geleira poderia 'quebrar' já entre os próximos três ou cinco anos.


Anualmente, a geleira Thwaites, que possui um tamanho equivalente ao estado da Flórida ou da Grã-Bretanha, perde cerca de 50 bilhões de toneladas de gelo.


Hoje, seu derretimento já é responsável por 4% do aumento do nível do mar global que é registrado ano a ano. Caso rompa, seu colapso pode causar irreversíveis danos colaterais em comunidades costeiras e em nações insulares baixas.


A geleira Thwaites / Crédito: NASA


Ted Scambos, glaciologista da UCB, ressalta, que o derretimento da geleira poderá ter consequências que persistirão por anos. “O que chama a atenção em Thwaites é que a mudança continuará com resultados bastante dramáticos e mensuráveis ​​nas próximas décadas”, declarou à CNN.


A geleira, por enquanto, vem sendo retida por uma plataforma de gelo flutuante que já apresenta um cenário crítico. “O que é mais preocupante sobre os resultados recentes é que eles apontam para um colapso dessa plataforma de gelo, esse tipo de faixa de segurança que mantém o gelo na terra”, explica Peter Davis, oceanógrafo do British Antarctic Survey.


Se perdermos essa plataforma de gelo, a geleira irá fluir para o oceano mais rapidamente, contribuindo para o aumento do nível do mar”, continua.


Alvo de estudos


Os efeitos do aquecimento das águas do oceano é um dos principais fatores que contribuem para a deterioração da Geleira do Juízo Final. Um exemplo disso foi explicado em 2020 por pesquisadores da Colaboração Internacional da Geleira Thwaites, que lideram pesquisas na Antártica.


O grupo constatou que o oceano possui uma profundidade maior do que se pensava anteriormente. Sendo assim, essas passagens mais profundas favorecem para que a água quente do oceano derreta a parte de baixo da geleira


Assim, a plataforma de gelo que mantém Thwaites junta está se afrouxando cada vez mais. Antes chamada de “língua de gelo”, a estrutura que age como um reforço contra o fluxo do rio, agora, é classificada apenas como “um aglomerado solto de icebergs” que não ajudam mais em nada a estabilidade da plataforma gelada.


A temperatura da água também influencia na “zona de aterramento”, que é a parte onde o gelo se estabelece no fundo do mar. Peter Davis explica que essas regiões são mais quentes que os padrões polares e também mais salgadas, o que favorece a erosão da área.


Nos próximos anos, esperamos que a linha de aterramento de Thwaites na região recue lentamente na encosta do fundo do mar em que atualmente se encontra, enquanto o oceano quente corrói sua parte inferior”, diz Peter Washam, pesquisador associado da Universidade Cornell, que também está envolvido na pesquisa com Davis, em entrevista à CNN.


Como resultado do estudo, Peter Davis diz que é possível afirmar que a geleira Thwaites da Antártica se deteriora cada vez mais rápido. “A partir dos dados de satélite, estamos vendo essas grandes fraturas se espalhando pela superfície da plataforma de gelo, essencialmente enfraquecendo o tecido do gelo; meio como uma rachadura no para-brisa”.


Ted Scambos completa e explica que, embora o processo seja lento, os impactos serão sentidos por décadas e, atualmente, já é quase impossível pará-los. “Este é um processo geológico, mas acontecendo quase em uma escala de vida humana”, completou.



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