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No Brasil, 25% dos alimentos vegetais têm resíduos irregulares de agrotóxicos

Anvisa encontrou substâncias proibidas ou em níveis superiores ao permitido por lei em 1 de cada 4 alimentos vegetais avaliados

No inicio de dezembro de 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou um dado alarmante: um em cada quatro alimentos de origem vegetal no país contém resíduos de agrotóxicos, proibidos ou em níveis superiores ao permitido por lei.


O levantamento faz parte de um estudo do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos (PARA), vinculado à Anvisa, que analisou 1.772 amostras de 13 alimentos diferentes coletados em 79 municípios brasileiros em 2022.


Os resultados mostraram que 41,1% das amostras analisadas no estudo não possuíam resíduos de agrotóxicos, enquanto 33,9% estavam dentro dos limites permitidos. Contudo, 25% apresentaram inconformidades, como a presença de agrotóxicos não autorizados ou em quantidades excessivas. Mais grave ainda, 0,17% das amostras, ou três amostras, apresentaram risco agudo, que, segundo a Anvisa, representa dano à saúde ao ingerir muito alimento com esses insumos em pouco tempo, como numa refeição.


Foto:Hermes Rivera | Unsplash


Das 2,6 milhões de toneladas de agrotóxicos utilizadas ao ano no mundo, o Brasil emerge como um dos maiores consumidores desse mercado que movimentou quase 28 bilhões de euros, cerca de R$ 101 bilhões, apenas em 2020, de acordo com o Atlas dos Agrotóxicos.


O estudo, coordenado pela Fundação Heinrich Böll Brasil, mostra que em 2021, o Brasil se tornou o maior importador mundial dessas substâncias, com um salto de 384.501 toneladas em 2010 para 720.870 toneladas em 2021, portanto, um aumento de 87%.


Ativistas do Greenpeace foram até o Congresso Nacional. O Pacote do Veneno significa um enorme retrocesso para a saúde brasileira, possibilitando liberar ainda mais veneno no país – o Brasil é um dos líderes mundiais no consumo de agrotóxicos. Foto: Greenpeace


Este impacto se dá, também, na saúde de crianças e adolescentes. Cerca de 15% de todas as vítimas de intoxicação por agrotóxicos no Brasil pertencem a esse grupo etário. Já entre os bebês, foram 542 intoxicados no período de 2010 a 2019. Além disso, as gestantes também sofreram com esse cenário, com 293 delas intoxicadas no mesmo período. Com efeitos que se estendem além do próprio corpo, a situação pode afetar a saúde de seus bebês por meio do leite materno e até mesmo antes do nascimento.


O documento aponta ainda para uma correlação entre a exposição prolongada aos agrotóxicos e o aumento da incidência de doenças crônicas. As evidências indicam uma alta taxa de desenvolvimento de doenças como Parkinson, leucemia infantil, câncer de fígado e de mama, diabetes tipo 2, asma, alergias, obesidade e distúrbios endócrinos.


Aprovação de agrotóxicos em 2020 foi recorde. Foto: Pixabay


No curto prazo, a exposição aguda a esses insumos está ligada a uma série de sintomas debilitantes, como fadiga extrema, apatia, dores de cabeça intensas e dor nos membros. Em situações críticas, há o risco de falha de órgãos vitais, incluindo coração, pulmões e rins. Aproximadamente 11 mil pessoas morrem anualmente em todo o mundo devido a envenenamentos não intencionais por agrotóxicos.


O Atlas mostra que, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta 150 reais por caso de intoxicação por agrotóxicos, totalizando um custo anual de R$ 45 milhões. Estudos compilados na publicação, mostram um mau negócio a partir do uso excessivo desses defensivos agrícolas. O custo para o SUS pode chegar a US$ 1,28 para cada US$ 1 investido em pesticidas, a depender do tratamento.


Agrotóxicos no mundo


A exposição a esse risco não se restringe ao Brasil. Atualmente, estima-se que ocorram cerca de 385 milhões de casos de intoxicações agudas por agrotóxicos a cada ano em todo o mundo; em 1990, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número total de intoxicações era de 25 milhões. A escalada desses números ao longo dos anos pode ser atribuída ao uso intensificado de agrotóxicos em escala global.


Desde 1990, a quantidade mundial de agrotóxicos utilizados aumentou em quase 81%, com crescimento expressivos em regiões específicas: 484% na América do Sul e 97% na Ásia. Essa aceleração no uso de agrotóxicos é particularmente preocupante em regiões do Sul Global, onde as regulamentações ambientais, de saúde e segurança são muitas vezes mais fracas.


Fonte: CicloVivo

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