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El Niño começa a mostrar seus efeitos no Brasil e pode ser um dos mais intensos da história

Fenômeno climático deve provocar excesso de chuvas no Sul e períodos prolongados de calor e estiagem em outras regiões do país; especialistas alertam para a influência do aquecimento global.
Fenômeno climático deve provocar excesso de chuvas no Sul e períodos prolongados de calor e estiagem em outras regiões do país; especialistas alertam para a influência do aquecimento global.

Embora o El Niño tenha sido oficialmente confirmado no mês de junho, é na segunda quinzena de julho que seus efeitos passam a ser sentidos de forma mais evidente no território nacional, alterando o comportamento das chuvas e das temperaturas em diversas regiões.


As previsões dos meteorologistas apontam que este pode ser um dos episódios mais intensos do fenômeno já registrados nas últimas décadas. Os primeiros impactos devem ser percebidos com o aumento das chuvas na Região Sul e a predominância do tempo quente e seco em grande parte do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.


De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC), órgão ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o El Niño atinja a classificação de "muito forte" entre os meses de outubro e dezembro, período em que o fenômeno deverá alcançar seu pico de intensidade.


Caso as projeções sejam confirmadas, o atual episódio poderá figurar entre os mais severos observados desde 1950, ao lado dos históricos eventos registrados em 1982/83, 1997/98 e 2015/16, responsáveis por provocar importantes alterações climáticas em várias partes do planeta.


Especialistas também chamam a atenção para um fator que torna o cenário ainda mais preocupante: o fenômeno ocorre em um planeta significativamente mais quente. O aquecimento global tem contribuído para o aumento da temperatura dos oceanos e da atmosfera, potencializando os efeitos de eventos climáticos extremos.


Na prática, isso significa maior possibilidade de ocorrência de enchentes, secas prolongadas, ondas de calor, queimadas e tempestades severas ao longo dos próximos meses. Os impactos, no entanto, não acontecem de maneira uniforme nem imediata. A tendência é que as alterações climáticas se intensifiquem gradualmente, especialmente durante a primavera brasileira.


Os modelos meteorológicos já indicam mudanças na circulação atmosférica sobre a América do Sul, influenciando a formação das frentes frias e alterando o regime de chuvas em diversas regiões do continente.


Com isso, o Brasil deverá viver dois cenários climáticos distintos: enquanto a Região Sul poderá registrar volumes elevados de chuva, aumentando o risco de alagamentos e transtornos urbanos, parte do Centro-Oeste, Norte e Nordeste tende a enfrentar períodos mais longos de estiagem, associados ao calor intenso e à baixa umidade do ar.


Para especialistas, o acompanhamento das previsões meteorológicas será fundamental nos próximos meses. Municípios e órgãos de defesa civil já começam a monitorar os possíveis impactos do fenômeno, que poderá influenciar desde a produção agrícola até o abastecimento de água e a ocorrência de desastres naturais em diferentes regiões do país.


O que esperar nos próximos meses?

  • Sul: aumento das chuvas, risco maior de temporais e alagamentos;

  • Centro-Oeste: redução das precipitações e temperaturas elevadas;

  • Norte: calor intenso e possibilidade de períodos mais secos em algumas áreas;

  • Nordeste: diminuição das chuvas e baixa umidade do ar em diversas localidades;

  • Primavera de 2026: período em que os efeitos do El Niño devem ganhar mais intensidade em todo o país.


A recomendação dos meteorologistas é que a população acompanhe os alertas oficiais e esteja atenta às mudanças no clima, especialmente em regiões historicamente vulneráveis aos extremos meteorológicos.

 
 
 

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