Brasil na contramão do mundo: por que ainda falhamos no combate ao plástico
- Dircélio Timóteo

- há 1 dia
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Enquanto o planeta acelera medidas para frear a poluição plástica, o Brasil segue em ritmo lento — e preocupante. Em todo o mundo, ao menos 90 países já adotaram algum tipo de proibição ou restrição ao uso do plástico, especialmente das sacolas descartáveis. O objetivo é claro: reduzir o impacto ambiental de um material que leva séculos para se decompor e já invade oceanos, rios e cadeias alimentares.
O contraste brasileiro chama atenção. Mesmo figurando entre os dez maiores poluidores de plástico nos oceanos e sendo o maior produtor de plástico da América Latina, o país ainda não possui uma política pública nacional, efetiva e unificada para enfrentar o problema. Na prática, a responsabilidade acaba recaindo sobre estados e municípios, que decidem de forma isolada se proíbem, restringem ou taxam o uso de sacolas plásticas em supermercados e comércios.
Medidas fragmentadas, resultados limitados
Especialistas alertam que esse modelo pulverizado de regras pouco contribui para reduzir o desperdício. As experiências internacionais mostram que ações fragmentadas tendem a gerar confusão, brechas legais e baixo impacto ambiental.
Na Alemanha, por exemplo, apenas sacolas com espessura entre 15 e 50 micrômetros são proibidas. O resultado? Em 2022, 87% das sacolas distribuídas estavam justamente dentro dessa faixa, evidenciando a dificuldade de fiscalização e a ambiguidade da legislação.
Quando funciona, mas não totalmente
O Quênia é frequentemente citado como um caso de sucesso. A proibição das sacolas plásticas levou a ruas visivelmente mais limpas em grandes cidades como Nairóbi. No entanto, o avanço perdeu força com o tempo: sacolas continuam entrando no país por meio de nações vizinhas, onde não há restrições semelhantes. O exemplo reforça a importância de políticas amplas e coordenadas.
Proibição ampla é mais eficaz
Um estudo norte-americano publicado em 2025 apontou que proibições em larga escala ou de abrangência nacional são as mais eficientes para reduzir o consumo e o descarte de plástico. Medidas pontuais, segundo a pesquisa, geram impacto limitado e temporário.
O tempo é agora
A crise do plástico não é apenas ambiental — é também social, econômica e de saúde pública. Sem uma estratégia nacional clara, o Brasil corre o risco de ampliar ainda mais sua pegada de poluição e perder a chance de liderar soluções sustentáveis na América Latina.
Reduzir o plástico exige coragem política, engajamento da sociedade e, acima de tudo, decisão urgente. O planeta não pode mais esperar.




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