Cientistas alertam para perda de insetos no mundo

Já é notório que mudanças climáticas, conversões de usos do solo, utilização indiscriminada de inseticidas, poluições e a presença de espécies exóticas estão exterminando as populações de insetos responsáveis pela promoção de uma série de serviços essenciais e insubstituíveis à humanidade.

Imagem : Pexel Banco de Imagens


As populações de insectos caíram quase para metade nas regiões afectadas pelo aquecimento global e pela agricultura intensiva, em comparação com o que sucede nos habitats mais preservados, de acordo com um estudo publicado esta semana. As conclusões despertam temores sobre as consequências para a polinização das plantações.


Os investigadores responsáveis pelos estudo mediram tanto a quantidade de insectos como o número de espécies diferentes presentes em várias regiões do mundo.


O estudo, publicado pela revista Nature, conclui que a população total de insectos caiu quase para metade. O número de espécies caiu 27 por cento.


“As perdas são maiores abaixo dos trópicos”, declarou à AFP a autora principal do estudo, Charlie Outhwaite, do University College de Londres.

Outhwaite acredita que os números podem estar sub-notificados devido à falta de dados nas regiões tropicais.


Travar um desastre

A queda na quantidade de insectos, cruciais para a dieta de muitas outras espécies, tem consequências desastrosas.


Aproximadamente três quartos das 115 culturas alimentares mais importantes dependem da polinização, como o cacau, o café e as cerejas.


Alguns insectos, como as joaninhas, louva-a-deus e vespas, também são necessários para controlar outros insectos prejudiciais para o cultivo.


O estudo indica que os efeitos combinados da mudança climática e da agricultura intensiva, incluindo o uso generalizado de insecticidas, são piores que estes dois factores actuando em separado.


Mesmo que o planeta não estivesse a ultrapassar um intenso período de alterações climáticas, a transformação de uma floresta tropical em terreno agrícola aquece a região pela perda de vegetação que proporciona sombra e mantém a humidade do ar e do solo.

Num estudo prévio, os investigadores concluíram que o número de insectos voadores tinha diminuído a uma média de 80 por cento na Europa, o que teria provocado uma redução das populações de aves.


A nova investigação sugere formas de sobrevivência dos insectos como uma agricultura extensiva com menos produtos fitossanitários e cercada por habitats naturais.



Imagem : Pexel Banco de Imagens

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